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A tradição do baiano de usar branco às sextas-feiras teve um significado especial nesta sexta-feira (6), com o início das obras de construção do Parque Pedra de Xangô, em Fazenda Grande II, na região de Cajazeiras. A ordem de serviço foi assinada no local pelo prefeito ACM Neto, acompanhado do vice e secretário de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra), Bruno Reis; do secretário de Sustentabilidade, Inovação e Resiliência (Secis), André Fraga; dos presidentes das fundações Gregório de Mattos (FGM), Fernando Guerreiro, e Mário Leal Ferreira (FMLF), Tânia Scofield, demais autoridades, representantes de terreiros e associações, imprensa e populares.

O prefeito lembrou que o compromisso em realizar a construção do parque foi firmado à época do tombamento municipal da Pedra de Xangô, ocorrido em 2017. Com investimento de cerca de R$8,5 milhões e obras a serem concluídas em seis meses, a intenção é dar um novo tratamento à área, permitindo tanto a garantia definitiva da preservação do patrimônio imaterial da cidade e, por outro, oferecer à população de Salvador, principalmente de Cajazeiras, uma nova alternativa de lazer e convivência.

“A iniciativa vai aproximar a população do patrimônio natural da região e vai ser um novo marco para Cajazeiras e toda a Salvador, na medida em que está sendo feita a valorização da cultura e da história, além da preservação da natureza”, afirmou ACM Neto.

“Aqui vai ser um dos locais mais bonitos da cidade. A Pedra de Xangô é um símbolo das religiões de matriz africana, que agora vão ter um espaço para manifestação de fé”, completou Bruno Reis.

Simbolismo 

Dona de um simbolismo cultural e religioso de fundamental importância para a identidade cultural de Salvador, a Pedra de Xangô está envolvida por uma vegetação remanescente de Mata Atlântica, que reforça o caráter sagrado do local. Além da preservação do patrimônio, a proposta para a construção do parque atende a uma forte mobilização da sociedade civil, especialmente dos estudiosos e adeptos das religiões de matriz africana.

A pesquisadora e autora do livro “Pedra de Xangô”, Maria Alice Pereira, afirmou que a urbanização do parque é uma luta é do povo de santo e do povo negro da cidade. “A Pedra de Xangô é mais um passo para tirar da invisibilidade uma área de remanescente de quilombo, morada dos índios tupinambás, dos orixás, dos loguns, inquices e caboclos encantados. Uma área remanescente de Mata Atlântica, uma pedra com mais de dois bilhões de anos, um patrimônio geológico de relevância nacional com alto valor turístico e científico. Estar aqui hoje é comemorar tudo isso”, celebrou.

O presidente da Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro-Ameríndia (AFA), Leonel Monteiro, relatou que a luta dos povos de santo para a preservação do monumento natural foi iniciada em 2004, época da tentativa de demolição da pedra, e ressaltou a importância da iniciativa da Prefeitura. “Além de todo o legado cultural, religioso e histórico que será preservado neste sítio, também teremos uma nova área de lazer com toda a infraestrutura e deslocaremos um turismo para um outro ponto da cidade, movimentando assim o comércio local. Estamos muito felizes com mais essa vitória”.

Projeto 

Com ações de edificação, pavimentação e drenagem, o projeto desenvolvido pela FMLF busca criar um suporte adequado e uma espacialidade flexível, que possa adequar-se aos diversos formatos possíveis. Haverá um espaço destinado para exposições com elementos simbólicos das religiões de matrizes africana e indígena, trilhas a céu aberto e anfiteatro, tudo com o uso de materiais de baixo impacto ambiental e de alto valor ecológico.

Também estão previstos auditório, área administrativa, sanitários e estabelecimentos comerciais voltados para o parque. Além disso, o projeto propõe trazer de volta o espelho d’água que circundava a pedra. “Este é um momento histórico por toda a luta que foi empreendida pelo povo de terreiro para que estivéssemos aqui. Este foi um projeto muito especial e importante, construído conjuntamente através de várias reuniões e oficinas realizadas em Cajazeiras”, pontuou a presidente da fundação, Tânia Scofield.

Intervenções previstas no PDDU 

A área das intervenções urbanísticas envolvem 67.163,06m², contemplando a criação da via de monitoramento e o desvio da Avenida Assis Valente, criando no entorno da Pedra de Xangô uma zona de amortecimento paisagístico. Para execução de obras para urbanização estão previstos serviços de terraplanagem, drenagem, pavimentação do sistema viário e da praça, paisagismo, construção de arquibancadas, escadas, pontilhões e vertedouro, além da instalação de equipamentos e mobiliários urbanos.

As edificações ocuparão uma área de 546,30m², oferecendo espaços para exposições, auditório, área administrativa, sanitários, lanchonete e loja. Vale lembrar que o parque foi criado no novo PDDU, de 2016, por sugestão da Secis. Ele também é uma das sete áreas de lazer que serão entregues até 2020 pela Prefeitura, através do programa Salvador Capital da Mata Atlântica.

Reuniões 

Foram realizadas três reuniões públicas participativas para apresentação e aprovação do projeto do Parque de Bairro Pedra de Xangô na Prefeitura-Bairro de Cajazeiras, em 2018 e 2019. Nas reuniões, foram apresentados um diagnóstico da situação atual e o projeto básico preliminar, onde estão propostas diversas intervenções.

O local, que está dentro da Área de Proteção Ambiental do Vale da Avenida Assis Valente e Parque em Rede Pedra de Xangô, ganhará ainda espaços de convivência, ampliação do bosque sagrado e salas para o desenvolvimento de ações de educação ambiental.

Tombamento 

Em maio de 2017, por meio da FGM, oficializou-se o tombamento da Pedra de Xangô e da área considerada sítio histórico do antigo Quilombo Buraco do Tatu. A Pedra de Xangô é o terceiro monumento protegido pela Prefeitura com base na Lei de Preservação do Patrimônio Cultural do Município (8.550/2014).

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